Alagamento: seguro cobre prejuízos em carros e imóveis

Alagamento: seguro cobre prejuízos em carros e imóveis

Além de vítimas fatais e desabrigados, todos os anos, as chuvas trazem imensos prejuízos para o cidadão. No entanto, quem tem seguro pode ter os danos causados a veículos e imóveis minimizados.

A imensa maioria dos seguros de automóveis comercializados na país — os chamados completos ou compreensivos, de cobertura ampla — prevê indenização por alagamento. Apesar da garantia de ressarcimento de prejuízos, o professor José Varanda, da Escola Nacional de Seguros, diz que os motoristas não devem se arriscar diante de vias alagadas:

— O motorista não deve insistir em passar em vias alagadas, pois caso a perícia comprove que o comportamento do condutor aumentou o dano, há risco de perda parcial ou integral da cobertura — ressalta Varanda, que recomenda o motorista a desligar o veículo e aguadar o nível da água baixar para passar por ruas alagadas.

Para quem ficar preso no engarrafamento e tiver seu carro invadido pelas águas, a cobertura costuma cobrir submersão total ou parcial do veículo. As apólices também incluem danos praticados por terceiros, vendaval, terremoto, roubo, colisão, incêndio etc.

Para imóveis, é preciso verificar a apólice para ter certeza se os danos de alagamentos e deslizamentos estão cobertos pelo seguro. Tratam-se duas coberturas separadas, mas que Varanda recomenda que sejam contratadas em conjunto. O custo, diz o especialista, não chega sequer a 1% do valor segurado.

— Há muitas coberturas específicas no seguro residencial, e o consumidor precisa fazer as escolhas na hora da contratação, não é como o seguro de veículos em que a modalidade compreensiva já oferece uma cobertura bastante ampla — explica o professor.

Varanda ressalta a importância de o consumidor atualizar o valor segurado sempre que trocar eletrodomésticos e móveis, para que a quantia seja suficiente para reposição dos bens tal qual tem hoje.

— O valor de todos os bens dentro do imóvel devem ser incluídos no capital segurado.

Em áreas de alto risco de enchente e desmoronamento, acrescenta o especialista, há risco de que a seguradora negue a cobertura ou que seja necessária a elaboração de uma apólice específica, com valores diferentes daqueles praticados nos contratos padrão.

— Quem mora perto de encosta, por exemplo, pode pedir ao corretor para fazer um levantamento com a seguradora. De qualquer forma, mesmo que os percentuais sejam mais altos, costuma ser bom negócio fazer o seguro — afirma Varanda.

Com exceção dos riscos de incêndio, queda de raio e explosão, a garantia do seguro habitacional (DFI) se refere a danos causados ao imóvel por fatores externos, ou seja, prejuízos provocados por acontecimentos gerados de fora para dentro do imóvel, sobre o prédio, ou sobre o solo ou subsolo em que está construído. Por exemplo, um rio ou canal transborda e a água danifica a sua casa. O seguro DFI paga as despesas para a recuperação do imóvel. A mesma garantia se tem caso chuva, granizo ou rompimento de canos fora da casa provocar danos. Mas há casos de exclusão de cobertura, como quando a água de chuva invadir o interior do imóvel pelas portas, janelas, claraboias, respiradouros ou ventiladores que tem sido deixados abertos ou estejam com defeito.

De acordo com a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), no Brasil, para qualquer outro evento não incluído na cobertura básica, como danos elétricos ou alagamento, é preciso contratar coberturas adicionais. Vale lembrar que as seguradoras só têm a obrigação de cobrir o que está no contrato, por isso é fundamental ler a apólice com atenção.

Fonte: O Globo